O Show de Truman é entretenimento de alta categoria. Além disso, parece ser uma rara crítica à indústria cultural, partida de dentro dela mesma. Tudo no filme é bem feito, bem pensado, bem montado, inclusive a condução eficiente da emoção do espectador, que se identifica com o protagonista, torce por ele e se empolga até às lágrimas com o final meticulosamente desenhado segundo o melhor figurino do cinema de Hollywood.
O Show de Truman é perfeito. E esse é o problema. Leia o resto deste post »
Não me parece que fazer filmes alienados e alienantes, que recortam e recontam a história filtrando-a com lentes cor-de-rosa e a distorcem para enaltecer o american way of life seja um hábito só da Touchstone, ou da Disney. Parece-me que é o modo de ser habitual da indústria cinematográfica norte-americana, que é, segundo um conhecido lugar-comum, uma fábrica de sonhos. O sonho mais fabricado e vendido ali é o próprio modo de ser americano, a própria imagem dos EUA.
As duas moças, Edna e Mabel, fizeram um pacto de ganância (só namorarem produtores e diretores), e o quebram ao aceitar um pacto de amor com os protagonistas. Estes fizeram um pacto de amor, com o pai e os irmãos, e o quebram ao aceitar o pacto de ganância com o novo maestro, o produtor de cinema. As duas personagens corrompidas, que vieram à Babilônia para trocar a beleza por dinheiro, são “salvas” pelo amor, e os dois personagens que fazem a jornada por amor são corrompidos e acabam trocando a beleza que produzem por dinheiro, ou seja, acabam se prostituindo.
`A Palavra` (Ordet, 1955) não é um filme sobre religião. É sobre fé, algo bem diferente. Fala sobre modos de ter fé, e a possibilidade de a fé reabrir os caminhos da vida, mesmo depois de uma grande tragédia, de um grande desencanto.
A cena da espiã assassinada caindo, vista em plongée, com a cauda do vestido se esparramando pelo ladrilho como se fosse uma poça de sangue, é um exemplar antológico da magia visual de Hitchcock.