Gosto de Cereja

11 05 2009

1
Com economia de recursos e abundância de engenhosidade, conta a história de um homem que procura ajuda para suicidar-se.

O filme não diz quais as razões porque ele quer morrer: quer discutir a validade da opção suicida, independentemente de quaisquer razões, como se propusesse ao espectador imaginar, ele próprio e conforme seus conceitos, a mais desesperadora situação possível, para avaliar se nesse caso extremo o suicídio seria aceitável.

2
Deve significar alguma coisa o fato do sr. Badii, o protagonista suicida, tentar obter a ajuda de um militar, depois de um religioso, sem sucesso, para enfim encontrar compreensão e auxílio – talvez não o auxílio esperado – na pessoa de um cientista/professor.

3
O final do filme é aberto, e engenhoso, porque coloca nas mãos do espectador a decisão. Badii ocupa o lugar na cova que previamente cavara para si próprio, mas o diretor deixa a cargo do espectador devidor se ele se matou, ou não.

4
A última cena, que mostra parte dos bastidores da filmagem, deve servir para lembrar ao espectador que aquilo não passou de uma encenação.

5
O momento de impacto, que parece indicar uma “moral” do filme, é a anedota que o cientista conta a Baddi, acerca do turco que sentia dor ao encostar o indicador na cabeça, no peito, na perna, em qualquer parte de seu corpo. Seu dedo é que estava machucado.

15/8/2008
revisado em 29/9/2008


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